MULHERES, CUIDEM DE SUA SAÚDE MENTAL

NESTE DIA 08 DE MARÇO A PSICÓLOGA E DRA. CARMEN ARGILES FAZ UM PANORAMA SOBRE O ADOECIMENTO MENTAL FEMININO



Foto: arquivo pessoal

Segundo a WHO (2000), a saúde mental das mulheres é afetada por seu contexto de vida individuais e coletivos, entre os quais: aspectos socioculturais, econômicos, ambientais e emocionais. A identificação destes fatores, sendo externos e coletivos ou mesmo individuais e singulares, possibilitam intervenções de caráter preventivos e de atenção e cuidado ao sofrimento psíquico na população feminina.


As diferenças de gênero, e suas implicações sociais marcam a saúde da mulher de diferentes formas, sejam por tabus, preconceitos, demandas, limitações de diversas ordens, violências, diferenças de acesso à oportunidades e maior vunerabilidade . Estes fatores determinam transformações fisiológicas, psíquicas e emocionais, que podem afetar a saúde psíquica da mulher de modos diversos.


O gênero é um marcador identitário, que expressa a compreensão do mundo em uma visão binária e em situação de oposição, e que questiona os lugares em que se colocam homens e mulheres no contexto social. Trata-se de um constructo que permite analisar e pensar os aspectos diversos, tais como o enfoque cultural e político que constitui e organiza as relações sociais (Santos, 2012).


O conceito de gênero, torna-se necessário para a compreensão e ampliação dos fatores que afetam diretamente a saúde mental de mulheres e homens de forma distinta. Os estereótipos e os limites impostos a ambos, afetam o modo como estes enfrentam o sofrimento e adoecem psiquicamente (Diniz, 2011).


Entender a saúde mental feminina em uma perspectiva de gênero e suas diferenças, é significativo para não tratar de forma individualizada questões que de forma ampla, afetam as mulheres coletivamente, por estarem inseridas em um mesmo contexto societário. Com essa compreensão, evita-se a culpabilização, o fatalismo e uma perspectiva estigmatizante das mulheres com sofrimento psíquico.


A prevenção de agravos à saúde mental que acometem as mulheres pode ser pensada nesta perspectiva, partindo da ação sobre riscos e vulnerabilidades, assim como reforçar fatores de proteção, trabalhando as resistências, e o acesso ao cuidado. Assim como, investir no fortalecimento das redes de apoio no aspecto individual e coletivo.


Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) uma em cada quatro pessoas desenvolverá algum transtorno mental durante a vida. O transtorno mental comum (TMC) é mais elevado nas mulheres do que nos homens, estes se caracterizam por sintomas depressivos, de ansiedade e queixas somáticas inespecíficas. Fatores biológicos e sociais, estão associados à maior vulnerabilidade feminina aos transtornos de ansiedade , depressivos e comorbidades, transtornos alimentares, transtorno de estresse pós-traumático e doenças auto-imunes. O risco de suicídio é maior entre as mulheres. As mulheres são também menos tolerantes ao uso de álcool e drogas.


No aspecto biológico, podemos associar as alterações no sistema endócrino que ocorrem no período pré-menstrual, pós-parto e menopausa; e, entre os aspectos sociais podemos relacionar as desigualdades de gênero e as altas taxas de violência, de menor escolaridade e menor remuneração no mercado de trabalho. E ainda elencar maiores fatores de risco para o adoecimento mental entre as mulheres, como condições de fragilidade nas redes de apoio e suporte psicossociais e situação socioeconômica.


As mulheres podem encontrar atenção e cuidado nas redes de apoio à saúde mental e na atenção primária à saúde. A subjetividade da mulher e o sofrimento expressado por estas, devem ser considerados para compreender as diferentes perspectivas do adoecimento feminino, que podem ser decorrentes de fatores complexos e múltiplos, para além da individualidade de cada uma.



REFERÊNCIAS:


Senicato C, Azevedo RCS, Barros MBA. Transtorno mental comum em mulheres adultas: identificando os segmentos mais vulneráveis. Ciênc. saúde coletiva vol.23 no.8 Rio de Janeiro Aug. 2018.


Santos, Cristina Vieira M. Gênero e psicologia Clínica: Risco e Proteção na saúde mental de mulheres. 2012.


https://repositório.unb.br/handle/10482/11164 OMS. Relatório Mundial da Saúde. Saúde mental: novas concepções, novas esperanças. 2001.


Diniz, G. Conjugalidade e violência: reflexões sobre uma ótica de gênero. Casa do Psicólogo. São Paulo. 2011.

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